12/07/2012 – Quinta feira
Chegou nossa hora de partirmos desta praça. Já desarmamos acampamento, mas ainda não sabemos para onde iremos. Estamos na busca. O lugar certo vai aparecer.
13/07/2012 – Sexta feira
Que presente! O dia hoje foi mágico.
É maravilhoso o trabalho, o apoio que a vizinhança está nos dando. Alfredo, sua esposa Maria e seus filhos já nos consideram como parte da família. São seres muito especiais.
O grupo se dividiu ontem à noite em prol das movimentações.
Dev Dharam, Alegretto, Nakandi e menino Caina saem pela manhã pensando no que fazer.
Nakandi sente um chamado para quillacollo, uma cidade que fica apenas a dez minutos de Cochabamba.
Chegamos em quillacollo, pegamos informações e decidimos ir a um parque que possui área de acampamento, à dez quilômetros.
Beleza, delícia, como eu amo o imprevisível!
Estou bem próxima da cordilheira del Tunari.
Natureza, grandeza, casinhas de adobe, poucas casinhas. Cheiros, perfumes, flores, camomilas, muitas camomilas... macaquinho, ovelhas, galinhas.
- Senhora, por favor, onde fica o parque chocaya?
- Está longe, muito longe... difícil ir caminhando. Mas é naquela direção.
E agora?
Vamos caminhar até o bosque, sentar em nosso pano, fazer um lanche, e depois decidimos.
Caminha, contempla... para um ônibus vermelho ao nosso lado. Um olhar de perdido pra lá, um olhar de perdido pra cá.
- Senhor, você sabe onde é o parque...
Eu não conheço nada aqui. Nós queremos ir para as águas termais, mas estamos perdidos.
- Pois é, nós também estamos meio perdidos... será que a gente pode ir com vocês?
- Sim!
Entramos no ônibus familiar. E vamos subindo a serra!
Sobe, sobe, levanta poeira... olha a curva! Todos gritam,uôoooo!!! Risos, vamo que vamo. Curva pra lá, curva pra cá.
Chegou!
Subimos uma trilha. Cainã diz:
-Que lindo! Vamos morar aqui!
Parada para o lanche... contemplação.
Nakandi vai caminhar mais.
Contemplação...
Nakandi nos chama.
Nossa, que lugar, que força! A plaquinha indica um restaurante, mas a casinha está fechada, não parece que funciona algo alí.
Nem vou expor em palavras, deixarei esse papel para as fotos.
Ficamos com muita vontade de passar uns dias por aqui.
Vamos voltar para não perder a carona.
Perguntas, informações, emoção... Realmente, o lugar está abandonado. Chegamos até Afonso, que nos dará uma resposta no domingo.
Gratidão, gratidão, gratidão.
Voltando...desce serra, sobe poeira, curvas. Lá embaixo as luzes da cidade acesa. Como é grande!
Chegamos... encontramos a metade da mandala familiar. Trocamos histórias.
Os meninos conseguiram um espaço cultural para ficarmos até segunda!
Muitas trocas irão acontecer. Que alegria.
Vou dormir. Maravilhoso dia. Grande presente.
















14/07/2012 – Sábado
A magia da arte.
De dia, um belo ensaio.
Gratidão a esta casa especial que nos acolhe.
De noite, uma bela festa local. Festa de Santa Carmen. Vários blocos, ricos figurinos, brilhos e cores.
É muito bom o entrosamento com o povo deste lugar. A bebida tradicional deles é a chicha. Uma bebida artesanal, feita de milho fermentado, produzida nas próprias casas. É colocada em um balde com uma cabacinha dentro. A pessoa te oferece e você derrama um pouco para pachamama, bebe tudo e serve para outra pessoa. Interessante.
Nos divertimos bastante.
 |
| Pintura coletiva |
 |
| Resultado da pintura coletiva |
17/07/2012 – Terça feira
Um giro mágico. Um passeio pela ancestralidade. A presença do passado é forte. Mesmo em ruínas, a energia se faz presente.
Em verdade, o tempo não existe. Tudo é, agora.
Estamos no maior sítio arqueológico da Bolívia. Viemos parar aqui por intermédio do Jamiro, para realizarmos uma troca de culturas, para ajudarmos na limpeza da região, para fazermos música e arte, principalmente com as crianças.
O idioma falado aqui é o Quechua.
Irene está me ensinando um pouco de Quechua.
Amor – Munasqq
Natureza – Causay
Rio – Mayu
Pedra –Rumi
Nós estamos cercados por grandes cordilheiras. Estamos em meio às ruínas desse império. Locais que foram grandes templos onde se faziam rituais, muralhas separando nações, rios, cascata, mirante das estrelas, pedra de sacrifício.
Os incas possuíam grande conhecimento astronômico e suas construções estavam harmonicamente alinhadas com os ciclos da natureza, do universo, assim como a agricultura. Essa região possui por volta de duas mil espécies de milho e de batata, e uma grande variedade de outros produtos.
E eu estou aqui, nessa imensidão. Eu estou aqui.
Uma prece. Uma veste de Luz. Um sonho.
 |
| Todos com a sagrada folha de coca |
 |
| Cerimônia para pachamama |
 |
| Querida Irene |
 |
| Comida comunitária |

19/07/2012 – Quinta feira
Na beira do rio estou recolhendo lixo, trabalhando coletivamente em prol da pachamama, da vida, de todos nós.
Cada lixo que recolho, a terra respira aliviada.
Sou grata ao sol que surge toda manhã.
Ilumina a verde cor que nos inspira.
Água cristalina caminhando pelo mundo.
Semente que brota.
Abençoa a nova vida.
Cada dia uma vida. Nova vida a cada dia.
Respirando, renascendo, recebendo o alento.
Fizemos uma bela caminhada de uma hora até a escola.
Divertimos com as crianças. Muita música, muita dança.
O brilho nos seus olhos me encanta.
20/07/2012 – Sexta feira
Dia belo. Mais uma caminhada para a escola. Trabalhamos com as garrafas pet que recolhemos esses dias. Fizemos aviões, flores, instrumentos musicais. Muito lindo. Muito gratificante.
Belas crianças. Sinto que elas carregarão consigo esta Luz que receberam de nós. E eu também levarei eternamente comigo todo o amor que recebi delas.
Noite... estrelas... fogueira... trocas de cartas Estação Vimana.
Gratidão eterna.
 |
| Emanando arte para as crianças |