Diário de viagem
28/06/2012 – Quinta feira (Mato Grosso do Sul – Mirante)
A Caravana de Luz partiu esta manhã, iniciando um novo ciclo.
Estamos agora na rodoviária de Miranda. Vamos armar as barracas em algum lugar do grande gramado ao lado.
A viagem foi perfeita. Avião decolando, subindo... povo nuvem abaixo. Que imensidão! Sensação de desejo sendo realizado.
Veja! Você está rodando pelo planeta. Grande jornada.
Cada momento é especial. A alegria do menino Cainã ao nos reencontrar. A espera musical no gramado em frente a BR. A tranquilidade de relaxar após o almoço, proseando com o dono do restaurante, que dizia ser este um lugar que sobreviverá as catástrofes do planeta.
Gratidão.
29/06/2012 – Sexta feira (Mato Grosso do Sul – Corumbá)
Rodas dentro de rodas. Mais um dia.
Escuto o som do primeiro pássaro. Um a um, a orquestra se forma. De dentro da barraca vejo o laranja do sol chegando. Bela manhã.
Agradeço as grandes irmãs árvores que nos hospedaram.
A viagem para Corumbá... linda demais! Vista maravilhosa, com direito a tuiuiú, veado, jacaré, flamingo, pôr do sol.
Acabo de despedir de uma pessoa especial que conhecemos no ônibus.
Uma Luz que se abriu e nos ensinou com sua história.
Um homem de apenas vinte e cinco anos, acostumado a ganhar e gastar muito dinheiro, volta para casa neste momento sem saber se está milionário ou sem nada. Mas ele não preocupa com isso. Ele quer chegar, ver e abraçar seu filho, iniciar uma nova vida, fazer as pazes com o tio.
Um homem acostumado a usar o carro para andar um quarteirão, após brigar com o tio, pegou sua mochila e caminhou cinquenta e seis quilômetros.
Foi para o Paraguai conhecer seu outro filho.
Mas muitos desafios o esperavam nesta viagem. Ele foi assaltado, subornado pelos próprios policiais e ficou sem nada. Arrumou um trabalho para se manter, mas teve problemas com polícia mais duas vezes. Não tinha dinheiro para voltar para casa. Procurou a assistência social, que o mandou para vários lugares.
Um homem que vive nas ruas cuidou dele com muito carinho.
Uma pessoa que tinha do bom e do melhor, se viu sem nada, teve que descer do pedestal, sentir na pele. Emagreceu vinte quilos, aprendeu o dom da humildade, a orar, ter fé, confiar.
Ele se sente mais espiritualizado. Transmitiu esperança e força no olhar.
Descemos do ônibus e ele nos mostrou a cidade, com muita boa vontade.
Luis volta, depois de três meses. Ainda está um pouco confuso. Talvez pensam que ele esteja morto.
Luis está desaparecido. Um dos tantos desaparecidos no planeta.
Que emoção. Ele nos trouxe até esta praça, onde montamos acampamento, e partiu.
Luis falou da flor de lótus que é tão respeitada no japão e aqui tem em abundância.
Veja! Nós a chamamos de Camalote.
A flor que nasce da lama. A primeira flor.
30/06/2012 – Sábado (Bolívia – Puerto Quijarro)
Chegamos na Bolívia! Já estoy na órbita dessa nova língua. Que delícia hablar espanhol! Sinto grande afinidade com esses ares.
Conheci a graciosa Angela, uma bela moça de dezenove anos. Me transmitiu grande beleza e alegria.
Angela é vendedora no local onde fui comprar uma barraca. Ela ficou admirada com a nossa coragem de sair viajando, disse que saiu de Puerto Quijarra apenas uma vez, e sentiu medo. Ela tem muito medo de lugares desconhecidos.
Linda Angela. Bela flor. Que ela possa se curar de seus medos.
A moça menina que nos atendeu no restaurante se divertiu muito com nosso jeito. Sorriso maravilhoso, risada gostosa.
Esperei chegar o arroz e o feijão mas era somente aquilo. Um prato cheio de batatas fritas, muita cebola roxa crua, tomates picados, pedaços de queijo e ovos cozido. Muito bom.
Arroz e feijão é realmente brasileiro.
Estamos agora montando acampamento atrás de um grande campo de futebol. Já escurece. Todos estão movimentando, armando barracas, pegando lenha, acendendo a fogueira. Lua bela.
São muitos mosquitos, muitas picadas. Eu escrevo andando de um lado para o outro, tentando espantá-los. Nossa! São muitos!
Nakandi fala da diferença das cidades da Alemanha com as cidades do Brasil.
Sim, eu quero rodar o planeta.
Lua, estrelas, fogueira, Nakandi tocando violão e cantando maravilhosamente.
Vejo a Lua refletida no espelho.
Lua, que minha alma possa absorver cada brilho que parte de ti. Que eu possa ouvir vossos segredos. Encontrar-me em teu mundo rodopiando no azul prata do vosso corpo.
Tu estás tão longe e tão perto. Um quadro no espelho. Vivo quadro.
A Luz dourada do fogo. O som doce pelo ar.
Uma frase?
Aquilo que é. Aquilo que é, é ausente de medo. Você é.
01/07/2012 – Domingo (Bolívia – Puerto Quijarro)
Penduramos belos panos coloridos, um trapézio improvisado, instrumentos de efeito, uma marimba feita com garrafas de vidro que achamos pelo campo. Isto para mim é um mundo mágico, um templo sagrado. Isso é a verdadeira riqueza!
Vamos passar esta noite aqui novamente.
Hoje de manhã deu para ver melhor a sujeira neste campo. Nós realizamos um belo trabalho coletivo e recolhemos muito lixo. Muito lixo.
Nesta história participou também um ser que veio nos visitar. Alexandre estava sob efeito de álcool, mas apesar do seu estado ele nos respeitou e sentou conosco.
Alexandre é um homem de trinta e quatro anos, nascido em Corumbá. Trabalha descarregando verduras de caminhão. Recebe trinta reais por dois dias de trabalho. Alexandre bebe muito. Está com diabete, úlcera, gastrite e sofreu um derrame. Precisa de ajuda, e estes momentos ao nosso lado foram muito curativos.
Cada um de nós o ajudou e participou no seu processo de cura.
Recebeu palavras amigas, tocou instrumentos musicais, recolheu lixo, almoçou em família, chorou, sorriu, dançou, lavou vasilhas, dormiu, ganhou uma carta que fizemos coletivamente. Sim, foi maravilhoso.
Alexandre se foi e disse que está curado.
Assim é. Alexandre está curado.
Apareceram muitas crianças no templo mágico da árvore e fizemos uma festa! Badalaco ensinando parabéns pra você na marimba, crianças espalhadas ao redor da árvore, em cima, em baixo, tocando, cantando... Criamos músicas, nos divertimos muito! Pura alegria! Inesquecível. Estamos imensamente feliz.
Agora, um fogo, chá, frutas... la luna cada dia maior.
Uma frase?
Badalaco diz: Quem descobre que a vida é essencialmente prática, viaja.
A beleza salva o mundo. Essa frase não é minha!
Ana cigana diz: Sabe qual é aquela árvore? Siriguela!
02/07/2012 – Segunda feira (caminho do trem).
Se esse for o trem da morte, então é a morte mais bela e viva que já vi.
O importante é ir sem destino... o foco é a direção da Luz...
Decidimos descer antes de Santa Cruz de La Sierra.
Eu amo o desconhecido. Amo o imprevisível. Amo o momento. Busco a Presença. Eu no trem. O trem no momento.
As crianças nos olham com admiração, apreciam nossa canção.
Alegretto, dois limões, uma garrafa, círculos no ar...
Parada para comer, corre corre pra lá e pra cá... Ana Cigana diz: será que eles são rápidos assim em tudo?
O trem, o tempo, a calma... Observo o mundo de cada um.
Momento pintura de Dev Dharam e Ana Cigana. Minha canela, uma tela... outra tela no rosto dela.
Curió Luz e a flauta. O desafio da embocadura.
Momento Gonzaguinha de Badalaco. O som de sua voz passeia em meus ouvidos e interage com a sonoridade do trem.
Esse trem realmente tem som de trem.
Alegretto contemplando a paisagem na janela lateral. Sabe aquela imagem da moça namoradeira? Pois é... é assim.
Vejo Nakandi refletida no teto, pintando o menino cainã, que de tempo em tempo sai dizendo: Olha! Olha! Olha!
O dourado do sol começa a despontar... piuí, piuí... Será que está chegando?
Ainda não.
Os ultimos momentos no trem foram cheio de diversão e brincadeira. Lindo!
Sinto uma imensa gratidão ao ver os sorrisos nos rostos das pessoas.
Chegamos na cidade desconhecida. Roboré é o seu nome.
Gostamos do clima, acho que vamos ficar uns dias por aqui. É uma cidade pequena e parece ser muita tranquila.
Armamos acampamento na praça, e ao lado, está instalado um circo! Eu e Curió Luz fomos assistir a apresentação, chegamos na hora! Deixaram-nos entrar gratuitamente. Demos ótimas risadas.
É incrível a conexão. Aliás, no momento em que falávamos sobre conexões, surgiu no céu uma estrela cadente maravilhosa e muito longa. Durou uns cinco segundos. Incrível!
As imagens aparecem em minha mente. O trilho sem fim, a lua prata no alto, a sensação de simbologia, o circo.
Cada momento é um presente. Dev Dharam e Ana Cigana se lambuzando com a maçã do amor. Quanto amor Hermanos! Quanto amor.
A Gratidão é uma grande chave.
Acontecem algumas coisinhas chatas, mas elas são tão pequenas perto da grandeza dos presentes que recebemos a cada momento, que passam despercebidas.
Bela praça. Peço licença.
Gratidão.
Maravilhosoooooo... Ai que vontade que dá... de estar aí, juntinho de vcs...pessoas lindas... Mil beijos, HARI HAR.
ResponderExcluirlinda!
ExcluirFico imensamente feliz em ler estas linhas. Sinto que são almas livres celebrando o planeta, a vida, a luz. Vou continuar acompanhando a bela jornada de vocês rumo ao auto conhecimento e à experiência do amor global incondicional. Muitas energias positivas e luz no caminho.
ResponderExcluirUm grande abraço do amigo Fernandão.
Fiquei imensamente feliz ao ler suas palavras, amigo!
ExcluirVendo essa lua enorme, Kiku San vem à tona: saudade dos meus amigos de luz, mas muito feliz por vocês estarem espalhando amor pelo mundo. Lindas as fotos, pricipalmente a que vcs estão com a cabeça pra fora do trem!!! Em meus sonhos os vejo sempre: até Cainã já apareceu cantando (Hey, Hey!)
ResponderExcluirAté próxima quarta!
Kiku San, você é linda demais!!!
Excluir''Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser.'' — Cecília Meireles
ResponderExcluirQue delícia!!!!!!!!!!!!! Como é bom acompanhar vcs pelo diário de bordo! Está lindo, poético e que fotos maravilhosas! Dá vontade de largar tudo e ir correndo ao encontro de vcs. Mas temos coisas importantes para fazer aqui. Malu mandou um beijão pra vcs. Arthur está mudando hoje do ap para a casa do Fabiano, trouxe alguns móveis p guardar aqui em casa. Convidei ele pra morar aqui comigo, vai ser ótimo se ele vier. Dia 4 foi níver da Valéria e eu mandei uma mensagem pra vcs,mas na hora que fui enviar, ela desapareceu como um passe de mágica. Bruxarias do computador. Estou começando a fazer as pazes com ele e até a digitar + rápido. No +, kitatunamê. Amo vocês. I love you. Je t`aime.Irr lieb disch. HARI PRAKASH
ResponderExcluirboa sorte meus amigos cualker coisa nao se esquesan de min estou pra servirlos no que estiver ao meu alcance beijos y sigan subindo fotos estannnnnnn relindosssssssssssssssss
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